quinta-feira, 24 de março de 2011

Notas Cotidianas e Literárias LXX

OS MARGINAIS


1

O negócio suspeito
no refúgio do beco
pela rua escondido

onde está a saída
dessa boca de fumo
onde um bar se pergunta

o que foge do medo
enlaçado no enredo
entre trama e recuo

indo e vindo ligeiro
se livrando do cúmplice
implicado futuro

caso haja revista
caso chegue a polícia
de plantão no subúrbio.

2

Eu agora estou preso
e me sinto perdido

nesse trampo do tráfico
tudo leva ao crime

minha mãe vai me ver
na TV com algemas

não tomei seu conselho
vou pagar minha pena

nesta hora maldita
é preciso ser prático

não adianta cinismo
de quem foi grampeado

meus comparsas esperam
a cobrar o indevido

pelo pátio e nas celas
qualquer um traz perigo

a direção e outros presos
que no aperto transitam

os chaveiros e agentes
monitorando os motins

dia e noite atentos
a vigiar nós bandidos.

3

O privilégio de poucos
é a desgraça de muitos

os inimigos lá soltos
com estiletes e chuchos

tudo é moeda de troca
desde a cachaça ao fumo

há sempre um golpe rasteiro
de violência profunda

não facilita a cadeia
a traição e os abusos

a influência o dinheiro
é que implode esse mundo.

(Inédito, 2010)

Um comentário:

  1. Leitura de primeira, como sempre, Luiz Carlos. E este poema, este poema. Só pela originalidade do tema (coisa difícil), já valeria o aplauso. A forma, fiel porta-voz do conteúdo, também me encantou.
    Abraço

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